A mão dela tremia.
Mas ela a colocou na dele.
E algo mudou.
— Incline-se para frente — disse ele suavemente.
Seu corpo resistia.
Mas ela obedeceu.
— Agora, levante-se.
Primeira tentativa — nada.
Segunda — dor.
Terceira…
Sua perna se moveu.
— Vocês viram isso?! — alguém sussurrou.
— Isso não é possível…
— Não pare.
E ela não parou.
De novo.
E de novo.
Suas pernas tremiam.
E então…
ela se levantou.
Não perfeitamente.
Não com firmeza.
Mas de pé.
— Eu… estou de pé… — sussurrou.
Lágrimas escorreram.
A música voltou, tímida.
— Agora dance.
— Eu não sei como…
— Seu corpo lembra.
E lembrava.
Um passo.
Outro.
Instável.
Mas real.
Clara riu entre lágrimas.
— Isso é impossível…
— Sempre foi possível.
E então…
ela parou.
Seu olhar mudou.
— Eu… te conheço…
— Conhece?
Seu coração disparou.
— Minha mãe dizia isso…
— Qual é o seu nome?
Uma pausa.
— Lucas.
O mundo dela girou.
— Não… não pode ser…
Sua voz quebrou.
— Meu filho… morreu…
O silêncio ficou pesado.
— Será? — perguntou ele.
