Durante quinhentos anos, a Espada das Sombras permaneceu presa numa pedra branca no centro das falésias de Valemar. A lenda dizia que apenas aquele destinado a mudar o destino do mundo poderia empunhá-la.
Reis envelheceram.
Impérios caíram.
Mas a espada nunca se moveu.
Naquele dia, milhares de pessoas reuniram-se para assistir à última tentativa.
O guerreiro mais forte do continente, Dom Duarte, o Invencível, avançou sob aplausos.
As suas mãos envolveram o punho dourado.
Os músculos estremeceram.
O chão rachou.
Mas a espada permaneceu imóvel.
A multidão ficou em silêncio.
Dom Duarte: “Se eu não consegui arrancá-la… ninguém conseguirá.”
Então uma voz surgiu ao longe.
“Deixem-me tentar.”
As pessoas começaram a rir.
Um rapaz pobre, coberto de lama e vestindo roupas rasgadas, aproximava-se lentamente.
Alguns guardas tentaram impedi-lo.
Mas algo no olhar dele os fez recuar.
O menino chegou à pedra.
O vento parou.
As ondas deixaram de bater nas rochas.
O próprio mundo parecia estar esperando.
Ele tocou o punho da espada.
Rapaz: “Eu não vim buscar um trono. Vim buscar respostas.”
Uma explosão de luz negra e dourada iluminou o céu.
A pedra partiu-se ao meio.
A espada ergueu-se sozinha para a mão do rapaz.
A multidão caiu de joelhos.
Alguns começaram a chorar.
Outros fugiram apavorados.
Mas ninguém ficou tão aterrorizado quanto a rainha Beatriz.
Ao ver a lâmina, ela deixou cair a coroa.
Porque refletido no metal estava um rosto.
O rosto do antigo Imperador Sombrio.
O homem que havia sido morto séculos antes.
Ou pelo menos era isso que todos acreditavam.
Rainha Beatriz: “Não! Isso é impossível! Essa espada não escolheu um rei… escolheu o filho dele!”
O rapaz congelou.
Filho?
Antes que pudesse responder, uma voz ecoou de dentro da espada:
“Finalmente encontrei você.”
E a lâmina começou a pulsar como se tivesse um coração vivo…
A espada pulsava cada vez mais forte.
Tum.
Tum.
Tum.
Como um coração.
O rapaz largou-a imediatamente.
Mas a lâmina não caiu.
Continuou flutuando diante dele.
A voz voltou a ecoar.
“Finalmente encontrei você.”
A rainha Beatriz caiu de joelhos.
Lágrimas correram pelo seu rosto.
Pela primeira vez em vinte anos, ela disse a verdade.
“Perdoa-me…”
O rapaz olhou para ela.
“Perdoar o quê?”
A rainha apontou para o medalhão preso ao pescoço dele.
Um medalhão que ele carregava desde bebé.
“Porque fui eu quem te abandonou.”
O mundo pareceu parar.
A multidão ficou imóvel.
“Você… o quê?”
A rainha começou a chorar.
“Você é meu filho.”
O rapaz deu um passo para trás.
Não.
Era impossível.
Mas então o medalhão abriu-se sozinho.
Dentro havia um retrato.
Uma mulher jovem.
A própria rainha.
Antes que alguém pudesse dizer uma palavra, o céu escureceu.
Uma sombra gigantesca cobriu o castelo.
As pessoas olharam para cima.
E gritaram.
Uma criatura colossal surgia entre as nuvens.
Um dragão negro.
Maior do que qualquer criatura já vista.
Nos seus olhos brilhava o mesmo símbolo da espada.
A espada começou a tremer.
E a voz falou pela terceira vez.
“Seu pai está voltando.”
O dragão abriu a boca.
E pronunciou apenas uma palavra:
“Filho.”
Então toda a montanha começou a desmoronar…
